Eu, na Sttau Monteiro

 

Vivia-se o ano de 1986. Frequentava eu o 10ºano num colégio da Bairrada. Aproximadamente 250 km mais a Sul, era construída na cidade de Loures uma nova escola, fruto do crescimento demográfico. Apesar de já existir formalmente desde 1972, com a sua nova localização e instalações, ficou conhecida por Escola Verde, não por ser necessariamente mais ecológica, mas por ser essa a cor predominante dos blocos que a formavam.
Em 1997, decidi migrar para Lisboa, para esta que foi a minha primeira e única escola, onde, até ao momento, tenho lecionado a tempo inteiro. Estava portanto a nossa Escola, nessa altura, na sua fase “adolescente” e agora, com 25 anos, podemos dizer que já é uma “jovem”, suspeitando-se que terá de se casar à força, com outro “rapaz mais maduro” das redondezas.
Mas, voltando uns anos atrás, quando cá cheguei, a primeira boa impressão que recebi foi a de uma Escola simpática e acolhedora, com um aberto e bem-disposto Conselho Executivo. A nossa atual colega Ana Marta é, para mim, ainda uma fiel representante deste tempo, para além da Dona Alda que tão excelente papel desempenhou ao nível do pessoal auxiliar naquele tempo e no que se seguiu.
Ao longo de todos estes anos, desde o início das suas atividades letivas a 19 de Novembro de 1986, muitas transformações ocorreram. No ano letivo 1992/93 a Escola passou a ter alunos no 3º ciclo; em 1999, foi rebatizada com o nome de Escola Básica 2/3 Luís de Sttau Monteiro e em 2005, tornou-se sede do Agrupamento nº1 de Loures. Já houve vários CD (Conselhos Diretivos); uma CA (Comissão Administrativa); uma CAP (Comissão Administrativa Provisória) e agora há uma Diretora, que é o órgão de administração e gestão do agrupamento, funcionando em paralelo com os Conselhos Geral, Pedagógico e Administrativo.
Transformações também têm ocorrido ao nível humano. Alguns colegas passaram por cá apenas durante um ano letivo. Outros continuam por cá desde sempre. Uns vão ficando e dão tudo pela Escola, outros vão fazendo o que conseguem. Uns foram mas conseguiram voltar. Outros foram e partiram definitivamente. Mas de todos é certamente o mérito de fazer desta Escola, tudo o que de bom tem sido ao longo dos anos e do impacto que tem causado na vida, na educação e na formação do caráter de inúmeros alunos.
Apercebi-me que em 1986, foi também o ano em que a carta magna da educação portuguesa foi elaborada, a famosa Lei de Bases do Sistema Educativo (LBSE). Naquele ano, dava-se início ao designado Período Europeu, com acentuado crescimento económico. Passados 25 anos, a situação inverteu-se. Vivemos numa época em que se avizinham tempos de maior austeridade para a grande maioria dos cidadãos nacionais, com nulas perspetivas de crescimento económico. Em termos educativos as perspetivas são também de uma acentuada diminuição do investimento.
Considero fundamental que haja uma rigorosa e sábia gestão dos recursos humanos e materiais. Mas, também dentro do sistema educativo, o rigor e a sabedoria devem ser compatíveis com as condições e a função de cada interveniente. Quando se tem de gastar muito tempo em funções não prioritárias, deixando para segundo plano aquelas para as quais se está vocacionado; quando se criam fontes de tensão desnecessárias, quando as condições de estudo ou trabalho se degradam cada vez mais, acaba-se por produzir menos e com menor qualidade. E se assim for, o rigor e a sabedoria deixam de ser uma realidade.
Por isso termino relembrando o que a LBSE defende para o Sistema Educativo, dentro do qual todos ainda nos encontramos e do qual fazemos parte:
- “O sistema educativo é o conjunto de meios pelo qual se concretiza o direito à educação, que se exprime pela garantia de uma permanente ação formativa orientada para favorecer o desenvolvimento global da personalidade, o progresso social e a democratização da sociedade. (art.1, ponto2).  
- O sistema educativo responde às necessidades resultantes da realidade social, contribuindo para o desenvolvimento pleno e harmonioso da personalidade dos indivíduos, incentivando a formação de cidadãos livres, responsáveis, autónomos e solidários e valorizando a dimensão humana do trabalho. (art.2, ponto 4).

Fazer parte do Sistema Educativo não é simplesmente estar no sistema. É sim, contribuir para o seu eficaz funcionamento. A nossa Escola tem-no feito ao longo destes últimos 25 anos. Desejamos que o continue a fazer, da melhor forma possível, daqui para a frente. Viva a Sttau Monteiro!

Vitor Mota
Professor de CFQ